Detalhes do 3D contrastam com superficialidade do desenho.

Detalhes do 3D, traços, pintura do ambiente e diferentes formas dos RideBacks

Procuro escrever análises de animês que gosto bastante ou que tem alguma relevância especial. Acho que RideBack não se encaixa em nenhum desses quesitos, mas cada um dos 12 episódios me encantou pela maneira como a história consegue unir dois universos completamente distintos: o do balé e o das motocicletas.

Rin Ogata

Rin Ogata

Nossa protagonista, Rin Ogata, herdou da mãe a paixão pelo balé. Ela infelizmente machuca o pé em uma das suas apresentações, forçando-a a deixar a dança de lado. Ao entrar na faculdade, ela acaba encontrando a garagem do clube de RideBacks e se apaixona por uma máquina vermelha, a Fuego.

Os Ride on Backs, ou simplesmente “RideBacks“, são motocicletas articuladas que possuem braços e modernos computadores internos que permitem a qualquer um pilotá-los. Não são de uso comum, mas populares entre entusiastas e notórios por terem sido usados por um grupo paramilitar, o GGP, que graças às táticas de milícia viabilizadas pelos RideBacks derrubou um governo mundial e hoje exerce influência política e militar no mundo todo.

RideBack tem cenas de ação e tiroteios justificados por essa conspiração de tensão militar e política, mas elas são apenas as luzes do palco. Quem brilha é Rin, que tenta lidar com seu repentino fascínio por essas máquinas, com a estranheza de ser uma mulher em um ambiente que (em números) é dominado por homens e que entrou nesse mundo por razões provavelmente incompreensíveis a qualquer outro piloto de RideBack.

RideBack é originalmente um mangá de Tetsurô Kasahara, publicado na revista Ikki de demografia Seinen (mais de 17 anos). Entre os produtores da série de TV está Yasuyuki Ueda (Serial Experiments Lain, Texhnolyze).

Belas artes

O traço e formas diferenciados dão individualidade a cada personagem de RideBack, embora os femininos pequem na diversidade. As animações, texturas e modelos 3D, em especial os dos próprios RideBacks, são muito bem feitos e são o que mais chamam a atenção. São elas que dão vida para os movimentos da Rin e, portanto, é o que importa.

A pena é que a pouca duração da série não nos deu mais cenas desse tipo. E algumas foram claramente deixadas de lado: em um episódio em que há uma corrida, Rin ganha diversas posições e isso simplesmente não é mostrado, seja por falta de tempo ou para evitar de animar cenas complexas. Mas o que foi feito está mesmo impecável.

Como audiência, resta-nos aguardar por aquele momento que salva o episódio (ou a série).

A música é decente, mas não passa disso. Ouvir ela fora do anime é meio torturante. Ela não se sustenta sem o visual e nem tem um estilo coeso, porque foi muito submetida ao que está na tela. A abertura tem um charme que fica manchado pela mesmice visual e pelo engrish. A simplicidade do encerramento, embora cativante, destoa da velocidade de acontecimentos (imposta pelo reduzido número de episódios) e complicações da história.

Ela não é psicopata. São olhos de paixão.

Ela não é psicopata. São olhos de paixão.

O vermelho é mais rápido e outros clichês

Apesar do conceito base inovador, RideBack é um festival de clichês. Rin chega a ter seu momento “Shinji do Evangelion”, achando que as máquinas só trazem sofrimento e que tudo é culpa dela. O RideBack de Rin é vermelho, seguindo uma tradição histórica de que tudo que é vermelho é mais rápido. Praticamente todos os momentos, dramas e elementos da série acontecem mais ou menos da forma esperada, muitas vezes ao revés do bom senso.

Isso tudo não acrescenta nada e até atrapalha, mas não muito. RideBack conseguiu evitar o maior clichê: o de ser apenas mais uma história sobre “vencer”, seja na arte ou no esporte. Em vez disso, o que precisa ser vencido é o preconceito, a luta interior que nasce quando uma vontade antiga e irrealizável se vê renovada em algo que, aparentemente, nada tem a ver com você. Ou, para os fãs de Eva, Rin tem mais motivos para ser um Shinji do que Shinji tinha.

Isso é o que vale em RideBack: testemunhar união de universos aparentemente inconciliáveis e se emocionar com a ideia de retomar um sonho graças a uma paixão inesperada.

Ficha Técnica conheça nosso sistema de notas
rideback-cover Título RideBack Nota
Direção Atsushi Takahashi 7.5
Roteiro Hideo Takayashiki Grau
Compositor Takafumi Wada A
Estúdio Madhouse
Lançamento 01/2009 — 03/2009 (TV)
Duração 12*23

Escrito por Altieres Rohr

Jornalista e tradutor. Editor dos sites Linha Defensiva e Garagem 42 e colunista de Segurança Digital no portal G1 da Rede Globo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s