A beleza esconde um mundo arruinado em Shin Sekai Yori.

A beleza esconde um mundo arruinado em Shin Sekai Yori.

Shin Sekai Yori (algo como “Do Mundo Novo”) é um livro publicado por Yūsuke Kishi em 2008. Com três volumes de cerca de 600 páginas cada, a história foi transformada em um anime de 25 episódios da A-1 Pictures (Sora no Woto, Anohana). Eu queria achar algo realmente inteligente para dizer aqui, mas a sensação se aproxima mais da paralisia.

O novo mundo tem ideias diferentes sobre amor e sexo.

Yaoi? Yuri? Shin Sekai Yori tem outras ideias sobre sexualidade.

A história é extremamente desconfortável – exatamente como é Admirável Mundo Novo[1. Subarashii Shin Sekai, no Japão], o livro de Aldous Huxley ao qual o título desta resenha faz uma referência. Shin Sekai Yori constrói uma distopia partindo do pressuposto de que seres humanos desenvolveram poderes especiais de telecinésia, explorando qual o tipo de sociedade precisa ser construída para não dar chance ao caos, mesmo quando seus habitantes podem destruir florestas e casas, ou secar os rios, apenas com o poder da mente.

Os pilares dessa sociedade – e todos os remendos nela feitos ao longo das gerações – não param de chegar até os minutos finais da história.

O mundo de Shin Sekai Yori é explorado pela visão da protagonista Saki Watanabe e seus amigos do “Grupo 1” da escola. Aliás, as fases escolares de “Shin Sekai” são a Escola da Amizade, Escola da Harmonia e Academia dos Sábios. A história se passa mil anos no futuro, em um Japão que parece mais rural do que nunca, e onde habitam apenas 60 mil pessoas.

Ainda assim, embora os desafios enfrentados por Saki sejam uma parte importante da história, é a situação política e social do mundo que merece mais destaque e manda seus “recados”. O pior talvez seja perceber que, diante das mesmas situações, nossa sociedade não reagiria diferente — se pudesse.

Arte e animação

Arte plana nos personagens contraste com fundos detalhados.

Arte plana nos personagens contrasta com fundos detalhados.

O mundo de Shin Sekai Yori é absolutamente maravilhoso – exceto quando não é. O verde é verde, o deserto é deserto, e a A-1 Pictures conseguiu deixar isso bem claro.

A animação se destacada ainda nos momentos mais macabros da história, quando se vale de formas distorcidas, ruído e complexos padrões de cor.

Shin Sekai Yori talvez se beneficiaria de um traço mais adulto. No entanto, como boa parte da história se passa no início da adolescência dos personagens, lá pelas tantas a evolução da história e a criação de contrastes fazem parte do choque e desconforto. Portanto, a decisão foi por uma arte mais plana e infantil.

Os planos de fundo, confeccionados com evidente auxílio de computador, e os eventuais efeitos 3D não deixam dúvidas de que essa é uma produção recente. Da mesma forma, também não surpreendem. Last Exile já fazia isso em 2003. A arte não é o ponto forte, e em muitos momentos deixa a desejar.

A violência aparece em algumas cenas bastante parecidas com Elfen Lied, mas faz ainda menos parte do conjunto aqui. A cena inicial do anime, que é justamente de violência, serve como algum recurso fraco — e até enganoso — para chocar e prender a atenção.

Trilha sonora

Shin Sekai Yori não tem uma música de abertura no sentido como o termo é normalmente conhecido, mas Kage no Denshouka Daiichibu marca – e põe marca nisso – o início dos episódios.

A composição dessa e das demais músicas da série é de Shigeo Komori, parte do grupo de produção F.M.F. (K-On, Sword Art Online).  A maioria das músicas não traz nada de muito especial e não há nenhuma outra música marcante. O trabalho, porém, tem dignidade, e como Shiki, consegue manter o clima de interior mesclado com suspense, e todo o sufoco e desconforto do “novo mundo”.

Ser ou não ser, eis a questão

Seria, afinal, melhor este nosso mundo em que somos tão frágeis? Seria a força capaz de destruir o que hoje conhecemos por civilização? O que é ser humano? Essas são questões que permeiam o ar de Shin Sekai Yori.

O animê é recomendadíssimo, especialmente se você não se incomoda com longos diálogos e gosta de distopias. A ação está ali para ligar um ponto a outro, mas pode decepcionar quem espera apenas violência gratuita e sangue na tela, embora isso também faça parte da série. Quem assistiu Shiki e Elfen Lied poderá encontrar muitas semelhanças aqui.

O livro não tem tradução, mas a série animada deve chegar aos Estados Unidos pela Sentai Filmworks.

Cores e ruído decoram cenas que exigem clima de suspense.

Cores e ruído decoram cenas que exigem clima de suspense.

Ficha Técnica conheça nosso sistema de notas
Shin Sekai - Capa do livro Título Shin Sekai Yori Nota
Direção Masashi Ishihama 8.0
Roteiro Masashi Sogo Grau
Compositor Shigeo Komori S
Estúdio A-1 Pictures
Lançamento
  • JP – TV
    • 29 de setembro de 2012 – 23 de março de 2013
Duração 25 * 24m

Escrito por Altieres Rohr

Jornalista e tradutor. Editor dos sites Linha Defensiva e Garagem 42 e colunista de Segurança Digital no portal G1 da Rede Globo.

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