Gráficos alinhados, moça alinhada. Agora sim. (Divulgação)

Gráficos alinhados, moça alinhada. Agora sim. (Divulgação)

A vida da velha e avantajada Lara Croft nunca foi um passeio no parque. Depois de estourar no meio dos anos noventa e abocanhar o título de maior musa da história dos jogos, a moça de Londres viu a sua carreira despencar, mais ou menos como uma dessas estrelas adolescentes que terminam afogada nas drogas.

Mas isso foi só até a Square Enix botar as mãos na série e ter a brilhante ideia –”e se a gente começasse tudo do zero”?

Tomb Raider, assim mesmo, sem títulos adicionais, chega com a esperança de botar um ponto final na história de peitos, óculos fora de moda e promiscuidade (no melhor dos sentidos) da antiga heroína. O jogo introduz a nova e ingênua Lara Croft, uma jovem arqueóloga que resolveu se enfiar no barro com os seus amigos atrás de glória e riqueza.

A nova versão da moça deixa de lado toda a sexualidade forçada vista nas últimas versões e assume um papel mais puro e inocente, sem apelar para peitos saltando das roupas e shorts constrangedoramente curtos. Mesmo sob queixas dos antigos fãs, que queriam ver mais da versão “Jolie” de Lara, o que se pode dizer é que esse novo “eu” da heroína fez muito bem para a série.

Alguém tem uma aspirina?

Esqueça as batalhas contra dezenas de marmanjos, das firulas acrobáticas e da arrogância desmedida. A nova Lara Croft é só uma garota que se meteu em uma tremenda roubada. Assim, você vai vê-la chorar, sentir dor, medo e apanhar muito.

É como se aquele papo sobre violência contra a mulher tivesse sido esquecido, ou nem sequer existisse. Desde a sua chegada à ilha, a protagonista cai, se corta, se fura, leva tiros, flechadas, mordidas de lobo, sem falar nas constantes (e perturbadoras) tentativas de abuso por parte dos rapazes da seita enfrentada.

Isso tudo desperta um sentimento de pena pela protagonista, fortalecendo os laços do jogador com a heroína. Essa Lara mais humana resulta em uma das experiências mais especiais dos últimos tempos.

Parece, mas não é

Olhando superficialmente, Tomb Raider parece um “troco” à série Uncharted, que tanto “se inspirou” nos jogos da aventureira para alcançar o estrelato. Para tentar solucionar os mistérios da ilha, Lara sobe montanhas, se pendura em paredes, cordas e salta de abismos para fugir de incêndios e explosões, mais ou menos como Nathan Drake.

A diferença mais significativa fica por conta dos elementos de exploração, tão característicos da série, que não se perderam com esse reboot. Mesmo com o foco voltado para os combates e sobrevivência, as pilhas de artefatos históricos e segredos ainda estão lá, escondidos por todos os cantos, esperando para serem descobertos. Com mais atenção, também dá pra encontrar diversas tumbas recheadas dos bons e velhos puzzles.

Já vivendo à sombra da nova geração de consoles e computadores, Tomb Raider chama atenção pelos gráficos extremamente caprichados. As matas cheias de fachos de iluminação, as cavernas escuras, com a pouca luz das tochas e a própria protagonista, bastante detalhada, destacam o trabalho acima da média dos designers.

Ah, o arco, o seu mais fiel e letal companheiro. (Divulgação)

Ah, o arco, o seu mais fiel e letal companheiro. (Divulgação)

A rainha do arco

A jogabilidade gira em torno na nova arma favorita da musa, o arco e flechas. Conseguido logo nos primeiros minutos de jogo, ele cresce com a personagem, ganhando cada vez mais funções. Ele é tão eficiente, que termina ofuscando as outras armas, que perdem um pouco de sentido.

Todas as armas disponíveis podem ser atualizadas usando os fragmentos encontrados durante a ação. O arco ganha uma corda trançada, flechas inflamáveis e mais algumas mordomias. As armas de fogo ficam mais confiáveis com pentes estendidos, empunhaduras de melhor qualidade e até as divertidas balas incendiárias para a escopeta. Nada que tire o brilho do arco.

Como em um RPG, a personagem ganha pontos de experiência que desbloqueiam novas habilidades, como resistência maior, mais agilidade nos movimentos e mais habilidade no manuseio de armas. Essas evoluções vêm com sutis mudanças na personalidade de Lara, que fica mais confiante e letal com o avanço no jogo.

Dor, sangue e suor. Aqui não tem Maria da Penha, meu bem. (Divulgação)

Dor, sangue e suor. Aqui não tem Maria da Penha, meu bem. (Divulgação)

Sobrevida de luxo e multiplayer furado

A Square Enix conseguiu fazer um dos “pós-jogo” mais geniais do mundo dos jogos. Depois de terminar a campanha principal, o mapa continua aberto para exploração. Você pode vagar pra cima e pra baixo, sem ser incomodado por inimigos. É quase como se a personagem finalmente tivesse a chance de ir atrás de todas aquelas relíquias e tumbas, que foram o real motivo da trágica expedição.

Pra fechar o pacote, ainda sobra espaço pra um modo multiplayer competitivo, que por sua vez aparece como a única grande falha do jogo. A jogabilidade brilhante do modo single player parece não ter sido bem aproveitada, inclusive com algumas mudanças de péssimo gosto. O esperto botão de esquiva, por exemplo, deu lugar a um comando de corrida (com uma das piores animações de todos os tempos). Os mapas carecem de carisma, assim como os personagens, que não têm o mesmo charme da heroína. Tomb Raider podia ter dormido sem essa.

Missão cumprida

A Square Enix prometeu renovar a franquia e fez um trabalho espetacular com o novo Tomb Raider. Tanto a nova e brilhante personalidade de Lara, a campanha incrivelmente imersiva e variada, e a combinação de jogabilidade e gráficos de primeira fazem dele um dos melhores jogos dos últimos tempos. Forte candidato a jogo do ano e absolutamente imperdível.

Ficha Técnica
TombRaider Cover Título Tomb Raider Nota?
Plataforma PlayStation 3
Xbox 360
Microsoft Windows
9.5
Gênero Aventura Grau?
Publisher Square Enix S
Desenvolvedor Crystal Dynamics
Lançamento 5 de março de 2013
Jogadores Um jogador / Até 8 on-line

Escrito por Murilo Molina

One Comment

  1. Vou jogar Tomb Raider depois dessa análise.

    A trilha do sonora é boa também?

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