Arte de divulgação de Steins;Gate (5pb. / Nitroplus)

Falar de Steins;Gate é um tanto relevante. É o segundo anime com a maior nota no ranking do Anime News Network, atrás apenas da segunda temporada de Clannad, e também ocupa o quarto lugar no top anime do MyAnimeList – desta vez à frente de Clannad. Claro que essas listas são dinâmicas e podem mudar, mas o fato é que quem assistiu Steins;Gate tende a considerá-lo entre os melhores animes que já viu. Tem motivo? Tem, sim.

Mas quem vota nessas listas tende a gostar de anime. Em geral, a pessoa não assiste apenas um e se cadastra nesses sites para votar. E, no caso de Steins;Gate, isso é muito relevante, porque a série é recheada de referências nerds/otaku, entrando, inclusive, em citações diretas do 2channel, o “4chan” japonês. Muito coisa vai passar batido por quem não tem o mínimo conhecimento dessa cultura – ou mesmo ao que um personagem se refere quando ele fala de garotas “2D” e “3D”.

Vamos resumir: se alguém precisa explicar para você o que é uma tsundere e qual a relação entre um carro DeLorean e viagens no tempo, deixe este anime para outra hora.

Sim, é ficção científica. Não, não é inovador — nós já vimos esse enredo antes. Se você faz parte do público-alvo (e há possibilidade disso, se você está lendo o Garagem 42), é uma obra-prima. Mas é bom deixar claro: não é para todo mundo.

O tom conservador da arte encaixa bem com o clima da série, mas as cores aparecem às vezes.

Animação

A arte de Steins;Gate parece um tanto diferente. Isso é porque os personagens foram desenhados pelo artista Ryohei Fuke, e não dá para citar muitos trabalhos dele. Ele é o responsável pela série Black Rock Shooter e algumas fontes dizem que ele também esteve envolvido com alguns jogos da série Metal Gear Solid, mas é só.

O estúdio responsável pela animação é o White Fox. É um estúdio novo, criado em 2007, e tem poucos trabalhos até agora. Parece que esse estúdio surgiu quando algumas pessoas saíram do Oriental Light and Magic, que é o estúdio que anima a série Pokémon desde 1997 até hoje.

Fora alguns efeitos de iluminação, não tem muito para se falar da arte. Para uma produção de 2011, essa qualidade já é “normal”. Vale ainda assim um elogio para o tom de cores que decidiram usar. Ele lembra mais um clima Death Note do que as constantes cenas engraçadas de Steins;Gate, e esse contraste é muito interessante, porque mantém você preso nas coisas sérias que acontecem.

Música

Steins;Gate é baseado em um visual novel (VN), ou seja, é praticamente um livro ilustrado e interativo que se lê em um computador ou videogame.

Esse tipo de produção tem uma música característica, normalmente bastante precária. Algumas, quando são adaptadas para a TV, recebem uma trilha sonora inteiramente nova (caso da série Fate, por exemplo). Não foi o caso de Steins;Gate, que conta apenas com o mesmo compositor do visual novel, e, até por isso, muitos momentos do anime ficarão só com o ruído do ambiente ou, no máximo, com uma trilha bastante tímida.

Agora, comparando com outros jogos do mesmo tipo, a trilha sonora é muito boa. O compositor, Takeshi Abo, é o mesmo que compôs a trilha sonora de Ever17 -the out of infinity-, um jogo que conseguiu um raro lançamento no mercado norte-americano e foi considerado o 18º melhor RPG dos anos 2000 pelo site RPGFan.

Exclusivas do anime são as trilhas de abertura e encerramento, entre as quais sem dúvida esta última [ouça] merece o destaque.

Enredo

Daqui em diante há spoilers. Se não quiser saber, não leia.

Personagens de Steins;Gate.

O autointitulado mad scientist Okabe Rintarō usa um micro-ondas esquisito que trabalha (sem querer) junto de uma TV CRT de 42” polegadas para enviar mensagens e (mais tarde, memórias) para o passado, assim mudando o futuro. Ele faz isso diversas vezes para tentar salvar a cientista prodígio e tsundere Kurisu Makise e a cosplayer moe Shiina Mayuri da morte inevitável, em parte resultantes dos planos de uma organização chamada SERN de dominar o mundo usando uma máquina do tempo, roubando para si o próprio micro-ondas esquisito que eles desenvolveram.

Sim, já vimos isso antes. Não se pode dizer que vimos isso em Puella Magi Madoka Magica, porque o visual novel de Steins;Gate saiu em 2009, dois anos antes de Madoka. Mas, em videogames mesmo, podemos citar o Shadow of Memories, lançado para o Playstation 2 lá em 2002 pela Konami.

Dito isso, a execução da história flerta às vezes com algo como um Genshiken, expondo a cultura nerd e otaku, com a história se passando em Akihabara, e há diversas referências a outros trabalhos de ficção científica. Nem mesmo produções americanas escapam: “De Volta para o Futuro” aparece quando Okabe sugere chamar o e-mail que vai ao passado de “DeLorean Mail” (finalmente encurtado como “D-mail”).

Celulares têm um papel extremamente importante na série, não apenas pelo D-Mail, mas pelo uso constante deles como meio de comunicação. É um elemento derivado do próprio jogo, no qual as mensagens de celular envolvem boa parte das escolhas do jogador. Uma das personagens, a Moeka, digita tão rápido que recebe o apelido de Shining Finger.

Também não acredito que a TV CRT que trabalha junto do micro-ondas para permitir a viagem no tempo tenha 42 polegadas por acaso. Também importante ao enredo é o computador IBN 5100 (sim, é citado com N), que seria o único capaz de decodificar os códigos usados no SERN.

Fora as referências engraçadas, temos, sem dúvida, cenas fortíssimas, como quando Okabe tenta centenas de vezes evitar a morte de Mayuri, sem sucesso, e quando Suzuha Amane vai ao passado para tentar conseguir o IBN 5100, mas apenas deixa uma carta dizendo que havia “se esquecido de quem era e da sua missão” e que “fracassou, fracassou, fracassou, fracassou, fracassou…”.

Há grandes surpresas também, como a personagem Moeka e a identidade de “FB”.

Esse clima que fica entre a comédia e a tensão do drama, e a forma como as informações são finalmente reveladas aos poucos expõem um roteiro bastante inteligente. E vamos deixar claro: Okabe é um personagem sensacional. A série gira em torno dele.

Série teve lançamento nos EUA pela Funimation.

Hacking to the Gate

Se precisa de um motivo para ver Steins;Gate, que seja a risada psicótica de quando Okabe está em “modo” Hōōin Kyōma, ou mesmo chamando Kurisu de “the zombie”. Ou a sensação que fica, ao final, de que você quer voltar no tempo também para ver Steins;Gate de novo sem saber o final.

Aliás, omitimos o final desta resenha, até para ninguém ler por acidente. E, também, para que a Organização não fique sabendo.

El Psy Congroo.

Ficha Técnica
Título Steins;Gate Nota?
Direção Hiroshi Hamasaki
Takuya Satō
8.5
Roteiro Jukki Hanada Grau?
Compositor Takeshi Abo S
Estúdio White Fox
Lançamento (JP) Abril de 2011 – Setembro de 2011 (TV)
Lançamento (US) Setembro de 2012 (Funimation)
Duração 25 x 24m

Observações

  • Steins;Gate faz parte de uma trilogia informal (as histórias não são ligadas) formada por Chaos;Head, Steins;Gate e, agora, Robotics;Notes. A série de TV deste último começou a ser transmitida no Japão em 12 de outubro.
  • A série de TV tem 24 episódios. O último episódio foi exclusivo do DVD.
  • DeviantArt de Ryohei Fuke, desenhista dos personagens.
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Escrito por Altieres Rohr

Jornalista e tradutor. Editor dos sites Linha Defensiva e Garagem 42 e colunista de Segurança Digital no portal G1 da Rede Globo.

2 comentários

  1. Um dos melhores anime assisti, realmente.

    Nota 10 em todos os quesitos.

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  2. Nan Nobrega 20/10/2015 às 20:22

    Obra Prima

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    Responder

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